Resumo da ópera.
Nova Prata ( friozinho bom na serra )- Ao final do ano e em um lugar maravilhoso como é essa pequena cidade que eu adoro, é que consigo ter tranquilidade e clareza para tentar rabiscar um resumo do que foi o meu ano no automodelismo.
O inicio de tudo, lá por janeiro…fevereiro, não lembro bem, o meu chefe de equipe, preparador , estrategista Eduardo Dulac me convidou para ser seu mecânico. Para muitos isso pode parecer estranho, mas Dulac tinha acabado de se separar e a Kelly ( sua ex-esposa ) é quem acompanhava ele a uns 10 anos com muito sucesso em Brasileiros, Europeus, Sul Americanos…. fiquei meio assim de aceitar, pois minha idéia era de me preparar para pilotar um Brasileiro e não de virar mecânico, mas, mal sabia eu a quantidade de informação e experiência eu iria adquirir, mesmo sendo previamente avisado por Dulac que me disse: ” Tu vai ver, passando um ano andando comigo em Brasileiro a quantidade de coisas que tu vai aprender ” e, de fato aconteceu.
Minha idéia para o ano de 2011 era , andar a Copa Conesul ( campeonato disputado em etapa mensal separado por 2 semestres ) como preparação para vencer o Campeonato Gaúcho e no Gaúcho me preparar para o Brasileiro. Claro, como todos sabem nem sempre é possível concretizar o planejamento como um todo. o “Boss” falou : “só vais poder andar no Brasileiro depois que começar a vencer provas aqui ” Pronto.
Brasileiro 1:10 – 26 e 27 de Março seria minha primeira experiência como mecânico e já entrando na fogueira. Pense em alguém que nunca tinha abastecido um carro durante corrida, e que o máximo de “competição” que tinha disputado era a Copa Conesul com as mesmas pessoas que andava no clube. Assim fui para me aventurar em um mundo novo, conhecendo pessoalmente amigos do virtual ( msn, facebook, twitter ) pilotos e mecânicos de todos os cantos do Brasil. Claro que pra tentar manter o nível de entrosamento que o Dulac tinha com a Kelly não seria fácil e seria estupidez minha tentar fazer tudo que ela fazia durante esse tempo todo, pois tinhamos treinado 1 vez só em portão para tentar acertar alguns “códigos” pra eu entender o que o piloto me dizia.
Chegamos lá eu e minha esposa ( Dami ) na sexta feira a noite. Dulac como sempre fez , passou a semana treinando na pista com o auxílio do Espoleta, na sexta na madruga eles ainda preparavam os carros quando fui conhecer a pista as 2 da manhã e começar a receber o briefing do Dulac. A vantagem que eu tinha nisso tudo é que eu também pilotava então conseguia identificar problemas, erros, acertos no contexto geral mais facilmente, o que de fato me ajudou.
Como de costumo, mato a cobra e mostro o pau, vejam como foi :
3° Tomada Classificatória:
4° Tomada Classificatória :
5° Tomada Classificatória :
Depois das tomadas de tempo , ficamos em terceiro lugar atrás do Gabriel Brito e do Flávio Elias. O carro no entanto tava ótimo, com uma boa tocada, seguro… estávamos com um estratégia de parada bem segura e a julgar pelo que tinha acontecido nas tomadas de tempo, estávamos um pouco preocupados que iriamos fazer alguns pit stop´s a mais já que tava todo mundo andando nos 5 min de tanque…o que na corrida não se mostrou verdade e todos vieram para a mesma estratégia, estávamos bem… o resto o vídeo conta:
Final 1° Etapa Campeonato Brasileiro 1:10 – Balsa Nova – PR – Pista Fazenda Thalia
Gaúcho – Nesse meio tempo eu já tinha andado a primeira etapa do Gaúcho que foi em Portão no Clube Conesul e acabei me matando sozinho. A essa altura o “Boss” já tinha reparado que eu ainda tava verdinho pra correr o Brasileiro, e decidiu que não seria em 2011 que eu andaria a competição. Eu precisava me preparar melhor, tentar me manter calmo e controlar a ansiedade. Seguidamente eu me pegava tentando andar mais do que eu podia, o que fatalmente acabava em carro quebrado e uma prova jogada por água abaixo. Lembro-me de ter comentado aqui no blog e no facebook que quando minha esposa e filha aderiram a causa e passaram a fazer parte definitiva da equipe, consegui melhorar visivelmente minha tocada, e ficar com a cabeça focada somente na prova. A Dami ( minha esposa ) costuma me dizer que : “não sou competitiva” mas se voces vissem ela na pista, momentos antes de iniciar a corrida, saberiam que daquele grupo, talvez ela fosse a mais competitiva de todos. “tu fica sempre em primeiro nas tomadas de tempo, mas sempre quebra alguma coisa…eu não vim aqui pra passar vergonha ” me disse ela em uma das primeiras provas que participou.
Com o passar do tempo ela foi lapidando a competitividade dela e transformando tudo em incentivo para chegar ao objetivo maior.
Achei um vídeo feito pelo Uelington Borth da primeira etapa do Gaúcho. já que dessa vez eu esqueci a Camera.
Copa Conesul - A primeira etapa estava quase completa, na Copa Conesul me sagrei campeão do primeiro semestre vencendo apenas 1 prova. e foi aliás minha primeira vitória. A maioria das pessoas descreveria como foi a corrida falando das emoções e de como as coisas aconteceram na cabeça delas, eu no entando, mostro!
1º Vitória – Quinta e última etapa do primeiro semestre da Copa Conesul, 3 de Julho 2011 – temperatura ambiente 3 graus.
Brasileiro 1:8 – Realizado em etapa única na pista de Indaiatuba o Brasileiro de 1:8 foi um sucesso. O “Boss” me convidou para andar na categoria light, o que aceitei sem pestanejar pois ouvi muito a respeito da tocada do 1:8, de como era bom andar, e as velocidades de curva…Tudo aquilo era novo pra mim, eu nunca tinha sequer acelerado um 1:8. A única experiência que tive com 1:8 foi uma etapa do Paulista que fizemos como preparação pro Dudu, ou seja , eu só abasteci 1:8 até aquele ponto. Fomos em 4 para o Brasileiro, Eu e Edu Tattoo na Light e Dulac e Alessandro Sabatini ( ITA ) na PRO. O combinado era, eu e Dudu fazíamos uma dupla piloto-mecânico, mecânico piloto e o Tattoo e Ale outra. Desta vez consegui me liberar da sexta feira no trabalho, e consegui treinar antes, o que pra mim faria enorme diferença já que nunca tinha andado com 1:8 e não conhecia a pista. foram 5 tomadas de tempo e eu fiquei entre os 4 primeiros até o final da última tomada que foi quando todos melhoraram suas performances e eu tentando melhorar, acabei batendo. cai para 5° e teria que andar a semi final.
Edu Tatto andou a Semi e ia pra final até as últimas voltas, quando saiu da pista e perdeu o 6° lugar ( última vaga para a final ). Alessandro andou a semi na pro e chegou em terceiro, o que lhe garantiria a vaga na final…mas por um problema que até hoje não foi bem esclarecido, o tanque dele e de mais alguns pilotos não passaram na vistoria, o que desclassificou o Ale. Dulac estava entre os top 4 na segunda posição com um carro muito forte e andando igualmente forte, e eu tinha feito uma semi segura, sem exageros, suficiente para ir para a final, que naquele momento já era algo surpreendente pra mim que nunca tinha andado de 1:8!
Na minha final, foram 2 largadas… uma de 6 minutos ( até chegar a chuva ) e uma segunda que foi desastre total… seguem os vídeos:
Largada 1 – Saí de 7° para terceiro e quando foi declarada “chuva” estava em segundo a poucas curvas do primeiro.
Largada 2 – todos pilotos se respeitaram na primeira e segunda curva…mas na terceira, sobrou pra mim. Até hoje tenho o Clips de bolha que alguém esqueceu pendurado no cabo da minha bateria…o culpado pode se apresentar que entregarei o clips com prazer! hehehe
Na Pro, Dulac fez uma corrida impecável. Esteve em segundo lugar na mesma volta do Flavio Elias a prova inteira, porém devido a chuva e o carro dele estar com o sensor “escondido” no meio da fibra de carbono, o sinal baixou e parou de marcar algumas voltas em vários trechos da corrida. Eu cheguei a desistir da prova tamanha era a frustração, mas o “Boss” gritou em alto e bom som “Não vou desistir” e eu respondi “então aperta”… conseguimos terminar em 5° troféu que pra nós valeu como o segundo lugar.
Brasileiro 1:10 Segunda etapa – Rio de Janeiro – Pista sítio Rodeo Drive : Nesta segunda prova eu e o Dulac já estávamos um pouco mais entrosados, tínhamos feito algumas corridas do Paulista, além do Brasileiro de 1:8… a coisa fluía melhor e ele se sentia mais seguro no meu julgamento na pista. Fomos duas semanas antes da prova para treinar e desenvolver o carro, coisa que eu nunca tinha feito ainda. Testamos naquele final de semana muita coisa exaustivamente até chegar no conjunto ideial. No final de semana da prova estávamos confiantes para conseguir um bom resultado! Flavia Elias não iria participar desta etapa o que deixava a disputa do título entre 3 pilotos: Gabriel, Leandro Campos e Dulac. A pista do Rio era a casa do Leandro, então ele era o favorito. Dominamos as tomadas de tempo e batemos o record da pista! confiança nas alturas mas com os pés no chão, fomos pra final.
Parte 1/2 da final do Rio de Janeiro.
Parte 2/2 da final do Rio de Janeiro.
No fim, o trabalho duro, os testes, os treinos, deram resultados. Terminamos a prova 4 voltas a frente do segundo colocado com record de voltas e record da pista.
Gaúcho – Segunda etapa do Campeonato Gaúcho. Ainda na pista do Clube Conesul. Depois do fiasco na primeira etapa quando acertei 3x o mesmo buraco e cai de 1º com 1 volta na frente para 3º com umas 10 atrás, era hora de andar com a cabeça ( será que consigo ) ? Nessa etapa o “Boss” não estaria junto e como sou cercado de bons amigos me bandiei para o lado do Luciano Aquino que mesmo vencendo a primeira etapa, foi desclassificado por causa da corda da asa, ou seja , ele estava fora da disputa. Costumo brincar com ele que eu sou um tipo de “prostituto do R/C” o boss não tava eu vesti a camiseta LGA e me fui com eles para a competição, mas claro, isso tudo é uma grande brincadeira…somos todos no final das contas do mesmo time!
Mais uma vez consegui me matar sozinho , tal qual tinha feito na primeira etapa, a minha sorte ( que dessa vez jogou no meu lado ) é que o Evandro também teve problemas, e consegui ao final da corrida manter a vantagem que tive durante quase toda a prova. Enfim a vitória no Gaúcho.
Gaúcho – A última etapa do Campeonato Gaúcho foi disputada na pista de Santo Augusto, eu estava a 1 ponto atrás do líder do campeonato Evandro e precisava ganhar pra garantir o título. No final das contas o “Boss” tinha me dito que pra andar no Brasileiro eu precisava ganhar competições regionais…então era isso, tinha que ganhar.
Brasileiro 1:10 - Terceira Etapa – Santo André – AARC do ABC – Em outubro seria disputada a última etapa do Campeonato Brasileiro 1:10…eu digo , seria, porque efetivamente não aconteceu NADA! choveu 4 dias inteiros… só teve uma janela de meia hora pra treino na sexta e nada mais. Com a pontuação dada em prova de chuva não favorece a ninguém, permaneceram os líderes do campeonato como campeões, Eduardo Dulac na PRO e Luciano Aquino na Light! Esse ano os Gaúchos que tem um grid pequeno nas provas locais, provou ser um braço forte do Automodelismo no Brasil. Evandro Rocchi que estava em segundo lugar na classificação, não ficou com o vice campeonato da Light porque não se inscreveu para a última etapa!
Então… Missão cumprida?!! Ganhamos o Brasileiro…. não…pera ai. Tem o Sul Americano!
Sul Americano 1:10 e 1:8 – Novembro – Indaiatuba – Desde o início da temporada o “Boss” brinca comigo que ele assinou um contrato com a Dami ( minha esposa ) que determina o que eu posso e o que eu não posso fazer quando estou sem ela. Na corrida do Rio, quando os amigos do ES queriam sair pra tomar uma cervejada ou algo que fosse “desviar o foco” a resposta era sempre a mesma tanto minha pra ele quanto dele pra mim “não tá no contrato!”
Essa prova do Sul Americano “não estava no contrato”, mas de qualquer maneira a detentora dos meus direitos federativos me liberou para esta competição, na qual mais uma vez eu andaria de 1:8. O combinado para esta corrida era, Eu ando de 1:8 na Light e Dulac anda 1:10 na PRO, mesmo esquema, um faz box para o outro e vice-versa.
Desta vez na minha cabeça eu estava com mais “pressão” pois já tinha andado relativamente bem no Brasileiro na mesma pista, então eu não podia fazer feio. Dulac foi alguns dias antes para se preparar, ele com a ajuda do Bruno Séa montou um carro absurdamente bom! e estava focado. No ano anterior ele chegou em segundo lugar atrás do Argentino Juan Pablo Golobic por 3 segundos ao final de 45 minutos quando o Argentino já estava sem pneus e perdia rendimento consideravelmente, foi um corridão!
Nas tomadas , que foram só 2 das 4 previstas por causa da chuva, terminei só 1 com motor descarburando, o que me garantiu a 5° posição.
1° Tomada de tempo – Cat. 1:8 Light .
2° Tomada de tempo – Cat 1:8 Light .
Todos os pilotos da categoria 1:8 Light foram pra final, pois o grid era reduzido. Mas nem por isso foi menos disputado.
Na final, larguei em 5° e fiz “m$#%” na terceira curva… na hora que meu carro capotou me veio a imagem do Brasileiro na cabeça, e prometi a mim mesmo que não iria cometer os mesmos erros. O “Boss” me falou antes da prova : ” tu tem que ter uma meta, e tua meta é não balançar o carro, tem que andar redondinho a corrida toda”. Fui com aquilo na cabeça, sem me preocupar muito com posicionamento… antes da corrida eu brincava “já consegui melhorar minha posição final em relação do Brasileiro ( décimo lugar ) pois como só tem 7 correndo , na pior das hipóteses eu fico em sétimo “. Então era só andar “redondinho” e o resto era lucro!
Final 1:8 Light.
Aos 38 minutos de prova depois de várias disputas boas e uma liderança de quase 1 volta para o segundo colocado, meu carro quebrou… ainda consegui voltar para quarto, mas o carro quebrou novamente na última volta e consegui me arrastando chegar em 5°. Foi a melhor prova que já corri até hoje!
Na categoria 1:10 PRO, Dulac tava com um carro muito forte, porém em uma pré-classificação que fazem na sexta feira para separar os grupos dos pilotos e ainda passando motores, ele ficou em 6° na soma das 3 voltas mais rápidas. O que no final das contas foi bom, pois ninguém esperava o que viria nas classificatórias.
Na primeira classificatória, Dulac chegou em segundo por conta de uma capotada que o fez perder 3 segundos preciosos, ao final da tomada de tempo um desentendimento meu com o Williams a respeito do que pode ou não ser feito antes da vistoria, acabou em desclassificação nossa porque eu havia tirado a bolha do carro pra desligar ele, o que não pode. Mijadas dadas, erros aceitos…let´s move on. A palavra era “vamos lá e vamos fazer ainda melhor”. Na segunda tomada, batemos o record da pista e baixamos 3 segundos o tempo do Gabriel Brito que tinha ficado na pole na primeira tomada. Na terceira tomada eu falei pro Dulac “não importa se a pista tá boa, tá ruim, tem que terminar na frente”. Meu raciocínio era simples, estamos em primeiro…se andarmos em primeiro , mesmo que todos melhorem seus tempos, melhoraremos junto. “ok” disse-me o “boss”, terminamos a terceira tomada em primeiro. TQ no Sul Americano, felizes e com muita confiança para a corrida.
Na Final de 45 minutos, foi um show a parte. nas primeiras voltas os carros Shepherd / Max Power do Dulac e do Gabriel Brito abriram meia pista para o restante do grupo e depois da primeira abastecida Dulac passou o segundo colocado Gabriel Brito na pista, abrindo uma volta em cerca de 7 minutos… tava tudo indo como planejado.
dos 20 e tantos minutos pra frente e já a duas voltas e meia na frente do segundo, tivemos um “percalço” uma sobra de peça de algum carro quebrado arrancou o esticador da correia e fez com que andássemos mais seguros e com um certo receio de que o carro fosse quebrar. Não aconteceu! e conseguimos manter uma distância segura para o segundo colocado. No final terminou de ponta a ponta Eduardo Dulac em primeiro e Gabriel Brito em segundo!! até certo ponto da corrida, eram 4 carros shepherd entre os 4 primeiros, mas com a quebra do Gasparetto o terceiro lugar foi para o Argentino Guillermo San Martino com o piloto Shepherd Rafael Alves na quarta posição.
Final 1:10 PRO – Vídeo Jake Marques Bechelli
Então agora missão cumprida? SIM!
O resultado dessa salada de competições.
Como piloto :
Campeão Copa Conesul
Vice-Campeão Gaúcho
10° – Brasileiro 1:8 Light
5° Sul Americano 1:8 Light
Como mecânico :
Campeão Brasileiro 1:10 PRO
5° Brasileiro 1:8 PRO
Campeão Sul Americano 1:10 PRO
Esse ano foi intenso, muitas competições, muitas corridas, muitas viajens. Conheci muita gente nova, fiz novos bons amigos, conheci lugares ótimos e me diverti muito!
Espero ano que vem fazer tudo isso novamente, só que desta vez com a presença da minha familia para partilhar mais dessa minha paixão que é o automodelismo.
Um ótimo final de ano a todos,
Obrigado por tudo!
CHZ R/C Racing.
Guto Colvara.